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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TRECHOS DE LIVROS E RESENHAS


Foto de Brita Brasil (acima)


DIÁRIO DE LUAS, romance (Rocco).



“A loucura sempre me atraiu. É especial minha emoção diante de um louco. Ele desorganiza a rotina das certezas, surpreende a mesmice da ótica, senhor absoluto das bruxarias do inconsciente”.


SUTILEZAS DO GRITO, contos (Rocco):



“Quando compactuamos com uma grande mentira, por mais lúcidos, por mais conscientes do ato ilícito, a culpa nos invade, sorrateira, enlameando nossa auto-imagem. Como roedores no silêncio da casa, como uma conspiração de cupins descarnando nossa pureza e coragem.”


“... para sustentar o pedestal, o adorador se curva. E ninguém se curva impunemente, mãe. Quanto mais o adorador eleva seu mito, quanto mais lança sobre ele seu olhar íngreme de pequenino, mais rancoroso se torna.”

“... quando nossas saias se confundem sou mais que uma mulher. Sou tudo que não tem nome. Desaprendo o que aprendi. Contrario o que ensinei. Sou apresentada a mim quando ela come meus traços com suas pupilas amorosas. Seguindo seu desejo sou meu desejo. E passo a querer nós duas. Ver-me, assim, por sua ótica de amante, é desvelar em mim o que, sozinha, seria cegueira.”


O ESTRANHO, contos (Five Star):

Três contos premiados - entre eles, DORA (Prêmio Casa da América Latina, Concurso de Contos Guimarães Rosa, promovido pela Rádio França Internacional, Paris.

O conto foi adaptado para o cinema, por Luiz Rangel, e participou do Festival de Gramado 2009, finalizando a Mostra de Curtas Gaúchos, como média-metragem convidado.

“Naquele hospital aprendi a não ter pequenos pudores. Precisei aprender a não acalentar mais os preconceitos dos mortais. As exigências escrupulosas de quem tem a vida tão ajeitada, que nada lhe sacia a alma, nada lhe atende o querer.”

“Insultar meu marido já não me aliviava a dor. Cada vez que ele se debatia sob o chicote das minhas palavras, apanhávamos os dois”.

Sentir-se em débito com o tempo é inútil. É como querer reconciliar-se com um morto”.




O PRIMEIRO CRIME (romance policial), Coleção Elas São de Morte (Rocco):


“Passei por dois embrulhos de gente no Largo da Carioca, sem me comover. Estava cada vez mais prática. Todos os dias esbarrava com algum lixo humano, com a cabeça para fora do cobertor, ou com os pés à mostra. Era tudo passagem, como o chafariz, os camelôs, os meninos cheirando cola e o sol.”


LOJA DE AMORES USADOS, poesia (Multifoco), no prelo:


AINDA

Dizer urgente do amor ao amante.
Antes que se quebre o tempo.
E os ouvidos, dissolvidos na terra,
não apreciem mais a carícia das sílabas.

Antes que as mãos, tímidas de dar,
cessem de vez os movimentos.
E todos os gestos virem ossos.

Dizer urgente, ao amigo, o valor do vínculo.
Que só o amigo costura.
Só o amigo, cozeduras, cozimentos, cerziduras,
que só o amigo estanca os sangramentos.

Dizer urgente do amor, sem resistências.
Antes que a língua, de súbito, se cale,
e o amor, preso por reticências, maledicências,
medos, mágoas, role pelos ralos.

Antes que o amor, quedado pela foice,
faça da palavra não dita, eterno açoite.




Texto de Helena Parente Cunha, Escritora e Professora (Quarta-capa do livro Loja de Amores Usados):


"O talento de Carmen Moreno circula com a mesma sutileza clarividente nos vários gêneros literários e agora se excede neste surpreendente Loja de amores usados, em que sua arte se expande livre e senhora de uma intensidade poética raramente encontrada. A tessitura das palavras penetra o invisível de pessoas e coisas com a mesma delicadeza de sentimentos, no gesto que acaricia, nas despedidas irremediáveis, nas decepções e mentiras, ou nas rupturas fatais. As palavras, suavemente poderosas, extraem segredos e mistérios dos recantos da casa e perfis da família, nas esquinas do ser, nos encontros e desencontros amorosos. A dor que desliza pelos versos é quase sempre silenciosa e amiga, docemente assustada, ante possíveis lapsos, mas quando sangra e despedaça, invade a página o sopro difícil de quem reconhece no próprio eu e no outro os tortuosos caminhos dos conflitos internos. Em primorosa construção de linguagem atravessada por imagens que a cada estrofe nos envolvem, acompanhamos esta viagem de um olhar solitário pelo mundo, descobrindo o "pó do pó, / o microscópico a olho nu".


Texto de Astrid Cabral, poeta e escritora (Orelha do livro acima citado):


"Carmen Moreno

A poeta já traz no nome latino o vaticínio do canto, do poema lírico. E a musicalidade se reitera na sequência de aliterações nasais que abrangem também o sobrenome.

Qual a natureza do canto de Carmen Moreno em Loja de amores usados?

Múltipla. Derramando-se em quatro segmentos, inicia-se por ampla meditação sobre a condição humana, em seus aspectos de vida/morte e criação artística (“Morte Versos Vida”), para deslocar-se em seguida à conjuntura social dos laços de família (“Ecos da casa”), e, finalmente, concentrar-se no aprofundamento confessional do erotismo (“De cama e cortes”) e da condição feminina (“Sobre saias Sobre (saltos)”).

Nesse rico e complexo percurso temático, a intensidade dramática sempre nos arrebata. Sobretudo porque Carmen Moreno, além de ter a experiência do teatro em seu currículo, é uma poeta visceral.

Portanto, não se trata de simples habilidade ou ludismo verbal o que a conduz à produção poética. Embora seja incontestável seu domínio lingüístico.

Ao lado de inegáveis aspectos estéticos, a poesia de Carmen nos conquista pela pungência e pela coragem, como o comprova o poema “Umbigos”:

Tenho minha mãe entre as pernas.
Há anos tento pari-la, parti-la de mim,
mas minha mãe não se desgarra.

O desassombro e a atitude crítica da autora atravessam o livro inteiro. Loja de amores usados representa relevante momento de conquista pessoal, literária e social desta surpreendente artista."



TRECHOS DE RESENHAS


 DIÁRIO DE LUAS:


“Uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos.” Márcio Vianna, O Globo.


“(...) Carmen Moreno é uma voz independente no panorama ficcional brasileiro (...). Produziu um belo e instigante romance. Sua narrativa de fôlego, hipnotizante, detém a atenção do leitor durante todo o percurso do livro. (...)”. Ricardo Vieira Lima, Tribuna da Imprensa.


“Carmen Moreno demonstra cuidado com a cadência e o desenho das frases (...). O desenlace da trama imaginada pela escritora combina o caos da emoção ao rigor de uma equação. (...) É uma narrativa hábil onde o tema do Duplo só se ergue como central no último terço do livro, num movimento elegante, que se resolve em termos de enredo numa cena descrita com notável economia e efeito. (...).” Bráulio Tavares, Jornal do Brasil.


“ A economia verbal e o forte desenho dramático são as principais características deste romance, que se coloca muito perto do texto de teatro e do roteiro de cinema (...) texto perpendicular, exaustivamente trabalhado, sem qualquer tipo de concessão. Talvez seja, quem sabe, o tênue fio que separa a razão da loucura”. José Louzeiro – quarta-capa do livro.


 SUTILEZAS DO GRITO:


"Escritora recusa os truques da moda e mostra uma rara reverência pela literatura. (...) Não há em sua escrita o menor sinal de desprezo pela tradição “(...) contos que confirmam as principais qualidades do livro anterior – prosa bem-cuidada (...) enredos aos quais não faltam suspense, timing, surpresa – e deixam no leitor a tentação de identificar através das pistas os indícios de um universo, digamos assim, moreniano. (...).” Sérgio Rodrigues, Jornal do Brasil.


“Nada do que é humano é alheio a esta jovem mestra da prosa poética brasileira. Nada nela é muro. (...) Uma linguagem instigante, concisa e enxuta, sem nenhuma obesidade. Nada sobra e nada falta neste texto burilado, vigoroso e sofisticado (...)”. Olga Savary, O Globo.


O PRIMEIRO CRIME:


“(...) “Carmen Moreno escreveu influenciada pelo cinema, numa história que vai e volta no tempo, para um desfecho que surpreende, de tão clássico. (...) Não chega a ser Crime e Castigo, mas segue a trilha com bastante fôlego.” Beatriz Coelho Silva, O Estado de S. Paulo.


"(...) rigor imagético e ritmo com forte influência do cinema (...) Com uma narrativa que mescla delicadeza e requinte e com um final de revelação surpreendente, como não poderia deixar de ser, o romance se apresenta como um delicioso exemplar do gênero policial e como prova, não do crime, mas do talento da escritora”. Aline Aimée, Site Almanaque Virtual.


O ESTRANHO:


“O Estranho é o livro dos detalhes cortantes, o livro de uma autora bastante diferenciada (...) o livro que incomoda, como devem ser os livros relevantes (...) Carmen Moreno corta a carne do cinismo que reveste a condição humana. (...) a verve de Carmen é implacável, uma bukowskiana light (...). O Estranho é ler, ler e se ver. Luíz Horácio, Poiésis e Jornal do Brasil.



















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