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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Carmen Moreno na 11a. Primavera dos Livros 2011(SME) Museu da República

Hoje à tarde (24/11/2011), 
no Museu da República,
entre os diversos eventos da
 Secretaria Municipal da Educação do Rio 
(Departamento de Mídia Educação) na

11a. Primavera dos Livros:

Encontro com Escritoras Professoras

 Carmen Moreno e Sandrine Pereira
conversaram sobre Educação e Literatura,
com a plateia formada por
professoras e escritoras,
em clima de descontração e integração.
 .
 Carmen Moreno
Carmen Moreno conversando com o público
Carmen Moreno e Sandrine Pereira
Édila Tavares (Departamento de Mídia Educação/SME) e
Carmen Moreno

Entre os poemas e textos em prosa apresentados por Carmen Moreno:


Techo do conto Depois da Queda
Livro O Estranho (Fivestar)


Nos hospitais, os corpos têm de estar à disposição. Você deixa de ser uma pessoa - passa a ser uma patologia. Os doentes são, muitas vezes, apenas corpos. Não são cérebros, nem almas, nem têm muita vontade. Como o poder é reduzido nos hospitais! Este talvez seja o lado bom do exercício de sofrer: enxergar a ilusão do poder, essa peste sorrateira que ataca os mais supostamente humildes, e os de arrogância caricata.
A qualquer hora seu quarto pode ser invadido pelos amigos de branco, que manipulam seu corpo de um lado para o outro com rapidez e destreza. E, se quiser se recuperar sem grandes constrangimentos, esqueça os pudores, porque a intimidade é compulsória e necessária à cura. Ao menos a intimidade que estabelecem com sua carne exposta. A outra, a intimidade invisível, a que revoluciona seu peito quando a luz se apaga, esta exercitei com Deus.
E quando a luz se apaga nos hospitais, o sossego é provisório. De madrugada acendem o interruptor, enfiam um comprimido na sua boca, dizem algumas palavras animadoras e pronto, você lembra que está vivo. O doente tem de estar disponível, como uma puta. Todo doente é uma puta. Alguns ganham a saúde como remuneração, pela entrega do corpo. Outros, o calote da morte. Tive sorte!


Livro Loja de Amores Usados, poemas (Multifoco)


QUASE CINQUENTA

O amor roçou no tempo até esgarçar-se de vez, por excessos.
Quando caminho as coxas roçam uma na outra, por excessos.
Cortar gorduras é exercício estóico (às vezes esmoreço e espreguiço).
Mas tenho apreço pela assepsia da alma:
limpo desde menina o lixo entranhado na história.
Há que se enxergar a dor com lupas.
Sangrá-la até libertar o sorriso soterrado.
Sorte: o sol é exercício diário.
Disciplino a fé - o medo tem recantos insondáveis.
Crescer não é uma linha reta.
Recaio e aprumo os cabelos a cada ventania.
Minha mãe há noventa anos me ensina que aprende.
Apronta-se apenas para o instante.
O presente é seu presente.
Rega as plantas e tece bordados com mãos firmes.
Teço palavras para salvar meus jardins,
a seca é perigo iminente.
Aprendo com minha mãe a brotar sementes, podar folhagens,
e espanar a fuligem que encobre os sonhos.
Tenho quase meio século.
Imprescindíveis tornaram-se os óculos para leitura.
Mas prescindo de intérpretes para almas.
Leio entrelinhas como nunca!
Venho esquecendo datas e nomes,
mas tenho lembrado de perdoar.
O tempo não seria apenas a erosão dos neurônios
e o despencar dos músculos.
Há que se gozar os ganhos da dialética:
escondo a barriga sem lipo,
mas a alma - renovada - mostra a cara.


 

4 comentários:

  1. Parabéns, Carmen. Ricardo Alfaya.

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  2. Quando começam a surgir convites é porque o escritor já está lapidado. Parabéns Carmen Moreno. Selmo Vasconcellos

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  3. Aprecie e divulgue para os amigos a entrevista do Mano Melo. Beijos & Flores.

    http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2011/11/mano-melo-entrevista-n-367.html

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  4. Ficou muito bom isso aqui.

    Adorei ter estado com vc na Primavera dos Livros.

    Bjs

    Sandrine

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