Follow by Email

domingo, 18 de março de 2012

Carmen Moreno Integra a Coletânea Engenho Urbano - Rio 41 Poetas

ENGENHO URBANO - RIO 41 POETAS
(Org. Márcio Catunda - poeta e diplomata )

Oficina Editores

O Lançamento Aconteceu no PEN Clube do Brasil - 27/02/2012

Participam da Coletânea:

 Adriano Espínola, Astrid Cabral, Augusto Sérgio Bastos, Beatriz Chacon, Cairo de Assis Trindade, Carmen Moreno, Delayne Brasil, Edir Meirelles, Elaine Pauvolid, Elisa Flores, Érico Braga, Flávia Savary, Flávio Dórea, Gilberto Mendonça Teles, Glenda Maier, Igor Fagundes, Ivan Wrigg, Jorge Ventura, Juju Cambell, Laura Esteves, Luiz Fernando Prôa, Marcia Agrau, Márcia Leite, Márcio Catunda, Marco Lucchesi, Marcus Vinicius Quiroga, Messody Benoliel, Mozart Carvalho, Olga Savary,  Paula Wenke, Renato Resende, Reynaldo Valinho Alvarez, Ricardo Alfaya, Rosa Born, Rosane Carneiro, Sérgio Gerônimo, Silvio Ribeiro de Castro, Suzana Vargas, Tanussi Cardoso, Telma da Costa, Thereza Christina Rocque da Motta.

CENAS DA NOITE

Capa (Mozart Carvalho)

Márcio Catunda - Abertura

Silvio Ribeiro de Castro, Delayne Brasil, Denizis Trindade,
Igor Fagundes, Carmen Moreno, Tanussi Cardoso e Cairo Trindade

Edir Meirelles, Augusto Sérgio Bastos e Marcus Vinicius Quiroga

Elaine Pauvolid, Luis Serguilha e Telma da Costa

POEMAS DE CARMEN MORENO PUBLICADOS NA ANTOLOGIA:

AMPARO

Rio, que Cristo alarga teus braços em turismo sem pão?
Tour por teus atalhos, asfaltos, políticos – mãos ao alto, ladrão.
Que Cristo colore teus traços, benze teus dias, cruza teus dedos em oração?
Rio, que Cristo sobe teus morros, colhe teu lixo,
samba teus pés de barracos, ampara teus barrancos,
sutura teus abismos...
que Cristo fotografado afaga teu sorriso fraturado?
Rio, que Cristo afamado te estende a mão - do cartão postal dourado?

DOM

O Rio corre em qualquer parte.
Desde janeiro quando, fonte, renasce:
sonho, bomba, arte. Explode em sóis,
o imenso mar em seu posto de abraço.
Disposto a lamber bundas, levar afogados,
lavar mágoas incrustadas,
com o capricho das antigas lavadeiras.
Nossos corpos sonolentos na arrebentação,
nossos medos aquecidos de álcool e paixão.

Homem rio escorre em qualquer parte.
Desde janeiro quando, crédulo, renasce:
escola de samba, bala perdida, bola na rede,
no campo minado o drible da arte.
Implode em sóis de 40 graus,
entre camelôs na viração,
vans e vagões – nenhum lugar vago.
Não há vagas!
Sacoleja o imenso trem, dinossauro fraturado.

O Rio corre em qualquer parte
– Índia Haiti Central Marte.
Mate um homem outro nasce.
Carioca, planta de Sol:
– cactos dá na seca, daNação:
Surfa na enchente, sofá na cabeça,
coração encharcado. Sangue, enxaqueca,
pagode, forró, funk e xaxado.
Corre, meu Rio, sob o Sol.
Carioca planta de sorte (samba e água fresca).
Sempre uma fresta para sorrir,
sempre um sorriso de festa.

COPACABANA

Passa apressado pelo pedinte e pede perdão (a quem?) por não parar.
O tácito perdão sem endereço não lhe devolve redenção.
Talvez um deus na poltrona do seu peito o importune,
imponha meia volta - volta o homem dividido: estaria ludibriado? Iludido?
Meia moeda na mão do desconhecido: meio irmão, meio homem na calçada,
filho inteiro do Pai de todos em trapos na multidão.
Não se tocam as mãos, os olhos raspam-se: (escrúpulos são a assepsia da alma).
Chove, esgotos devolvem detritos, lama no chão, lodo no coração.
O homem segue os passos da maleta, expurgado pelo tostão
- que comprou seu saquinho de sossego.
Mãos de ofertas na próxima esquina, enfia folhetos nos bolsos...
não as deixa à deriva: dentistas, dentaduras, orações, ouro...
O homem não lê os papeis, não lê os outros homens, não se lê.
Segue seu caminho solitário, sem vizinhanças, por via das dúvidas:
(a intimidade é uma bagunça que dói).
Faz a tal parte que pensa ser sua – procura o bem todos os dias...
sem bússola: “bom dia, como vai, obrigado, tudo bem...”
E a praga do amor não vem!
Paga o flanelinha, engole o palavrão, desata a gravata, fecha o vidro fumê, fuma,
pega a Atlântica buscando no mar a salvação.
Anoitece . O mar é breu.
Mais um dia que o homem morreu.





















3 comentários:

  1. Oi, Carmen, Valeu por cobrir o lançamento da Engenho Urbano, 41 poetas. Bjs, Ricardo Alfaya.

    ResponderExcluir
  2. Santa Josefina! Só agora me toquei. Eu te conheço desde muito antes de te conhecer. Eu tenho "De Cama e Cortes". Um dos participantes da coleção - foge-me o nome dele agora - ofereceu-me vários livros, numa breve ocasião em que minha casa foi foco de encontros literários, coordenados pela Leila Míccolis. Gostei muito desse livro. Tanto que o guardei até hoje. No entanto, somente agora associei sua pessoa à obra, graças à foto que aparece no blog, aí embaixo (rs). Bjs, Ricardo Alfaya.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que estrada! Somos antigos, não?(rss). Mas agora não vamos mais nos perder, pois nossa história é rica e forte.Bjs,

      Excluir