quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CARMEN MORENO NA XV BIENAL DO LIVRO - RIO/ 2011

APRESENTAÇÃO DE
CARMEN MORENO NA BIENAL: 
 STAND DA SECRETARIA
MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO (SME)
 TARDE DE 02/09
EVENTO: PROFESSORES AUTORES

Carmen Moreno com o livro Loja de Amores Usados (Multifoco), poesia.

Fotos: Marco Miranda

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Carmen Moreno na PUC - Teknóspoiésys - 19/08/2011

Momentos da apresentação de
 Carmen Moreno no evento multimídia
 Teknóspoiésys
Realização:
Cátedra UNESCO PUC - Rio

Clique na seta para assistir ao vídeo:

Trecho da música Meio termo, de Cacaso e Lourenço Baeta
Poema: Até que a vida nos separe
(Livro Loja de Amores Usados, da autora)


Carmen Moreno


Veja a programação completa no site:

domingo, 17 de julho de 2011

MULTIRIO ENTREVISTA PROFESSOES ESCRITORES

 ENTREVISTA COM
 CARMEN MORENO

 PROGRAMA EDUCAÇÃO EM REDE
MULTIRIO - CANAL 14 NET

A ESCRITORA, PROFESSORA DE ARTES CÊNICAS E SALA DE LEITURA, CONVERSA SOBRE ESTAS EXPERIÊNCIAS.

EDIÇÃO PARA O BLOG: ALFEU BARRETO

PARA ASSISTIR, CLIQUE NA SETA ABAIXO:




Participaram do programa (não editado) as professoras escritoras
 Eliane Pimenta, Sandra Lopes e Sônia Rosa,
conforme divulgação neste blog, em postagem anterior.
Imagens de alunos da Escola Municipal Desembargador Oscar Tenório, Gávea.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O PROGRAMA EDUCAÇÃO EM REDE

(MULTIRIO) ENTREVISTOU

AS ESCRITORAS E PROFESSORAS:

CARMEN MORENO

ELIANE PIMENTA

SANDRA LOPES

SÔNIA ROSA


PARA ASSISTIR:


CANAL 14/NET - MULTIRIO


HOJE - 13 DE JULHO (QUARTA) - ÀS 08:00H e 13:00H


AMANHÃ - 14 DE JULHO (QUINTA) - ÀS 11:00H


(EM BREVE, EDITADO, NESTE BLOG)



sexta-feira, 13 de maio de 2011

CENAS DA CERIMÔNIA DE POSSE DE CARMEN MORENO NO PEN CLUBE DO BRASIL


ASSISTA AO VÍDEO:

DISCURSO E ASSINATURA
DO TERMO DE POSSE DE
 CARMEN MORENO
COMO MEMBRO TITULAR DO
PEN CLUBE DO BRASIL.
(Clique na seta)

 Discurso (10 min) - filmagem e fotos: Marcelo Ribeiro

Este vídeo encontra-se também no Canal da Autora no You Tube: carmenmoreno2

12/05/2011

Componentes da Mesa:

HELENA FERREIRA
(ESCRITORA, POETA, TRADUTORA E PROFESSORA),
CLÁUDIO AGUIAR (PRESIDENTE DO PEN CLUBE DO BRASIL) E
 CARMEN MORENO
 (POETA, FICCIONISTA E PROFESSORA).

ASSISTA AO VÍDEO:

Fragmentos do Ensaio de Helena Ferreira
Sobre a Obra da Autora
(Clique na seta)


Em breve, edição do vídeo de Delayne Brasil e Tanussi Cardoso:
Leitura de trechos em prosa e verso.


CENAS DA NOITE:

(A repetição do nome da autora, nas fotos abaixo, se faz necessária, pois tais imagens podem, eventualmente, ser reproduzidas em outros contextos da Internet).
PEN Clube do Brasil
Carmen Moreno - Varanda do PEN Clube 
Helena Ferreira, Cláudio Aguiar (Presidente do PEN Clube) e Carmen Moreno
Carmen Moreno - Discurso de Posse
Carmen Moreno e Tanussi Cardoso
Carmen Moreno e Delayne Brasil
Carmen Moreno e Ana Arruda Callado
Carmen Moreno e Astrid Cabral
Carmen Moreno e Eduardo Tornaghi
Inez Cabral de Melo e Carmen Moreno
Cecília Costa (Vice-presidente do PEN Clube) e Carmen Moreno
Carmen Moreno, Mano Melo, Andréia Ribeiro e Adriana Rabello
Laura Esteves e Carmen Moreno

Carmen Moreno e Célia Salsa
Maria Helena Künher e Carmen Moreno
Carmen Moreno e Maria Pompeu
Isis Baião e Carmen Moreno
Salgado Maranhão, Carmen Moreno e Tanussi Cardoso
Carmen Moreno e Igor Fagundes
Ricardo Alfaya e Carmen Moreno
Carmen Moreno e Denizis Trindade
Ana Luiza e Carmen Moreno
Antônio Gutman, Carmen Moreno e Sandra Reis
Adriana Monteiro de Barros e Carmen Moreno
Jorge Ventura, Carmen Moreno e Katiele
Sônia Rosa e Carmen Moreno
Sandra Lopes, Sônia Rosa, Carmen Moreno e Ligia Marback
Núbia Nunes e Carmen Moreno
Marcelo Ribeiro e Carmen Moreno
Rosária Robaina e Carmen Moreno
 Carmen Moreno e Sueli Vieira
Carmen Moreno e Renato Kemmel
Carmen Moreno e Sílvia Pollo
Carmen Moreno - Assinatura do Termo de Posse (Pen Clube do Brasil)



Em breve, serão postadas outras fotos do evento, assim como o texto do Discurso de posse de Carmen Moreno, na íntegra.

sábado, 7 de maio de 2011

O PEN CLUBE DO BRASIL

tem o prazer de
convidar Vossa Senhoria e Família
para a solenidade de posse da escritora
 Carmen Moreno
como Membro Titular.

Cadeira de Augusto dos Anjos
 Academia Paraibana de Letras

PROGRAMAÇÃO:

Helena FerreiraApresentação
Delayne Brasil e Tanussi Cardoso - Leitura
de poemas e textos
Coquetel de encerramento

Dia: 12 de maio, quinta-feira, às 18 horas
Local: PEN Clube do Brasil
Praia do Flamengo, 172 / 11º andar

Apoio:
Vinícola Aurora
Lelu`s buffet

 





domingo, 20 de fevereiro de 2011

LIVROS DE CARMEN MORENO (Trechos escolhidos e O que disse a imprensa)

VÍDEO:
BREVE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS
Clique na seta para assistir:




TRECHOS ESCOLHIDOS PELA AUTORA:


DIÁRIO DE LUAS (romance), ed. Rocco:



“A loucura sempre me atraiu. É especial minha emoção diante de um louco. Ele desorganiza a rotina das certezas, surpreende a mesmice da ótica, senhor absoluto das bruxarias do inconsciente”.

SUTILEZAS DO GRITO (contos), ed. Rocco:



“... quando compactuamos com uma grande mentira, por mais lúcidos, por mais conscientes do ato ilícito, a culpa nos invade, sorrateira, enlameando nossa autoimagem. Como roedores no silêncio da casa, como uma conspiração de cupins descarnando nossa pureza e coragem.”


“... uma das histórias que ouvi sobre as prostitutas avivou-se, de repente. Papai, seguro de que eu estaria distraído, comentou com um amigo que elas tinham um corpo desgastado, mas necessário. Enveredaram, então, por detalhes sobre mulheres flácidas e gordas, e outras tantas esquálidas... mas todas necessárias”.


“... para sustentar o pedestal, o adorador se curva. E ninguém se curva impunemente, mãe. Quanto mais o adorador eleva seu mito, quanto mais lança sobre ele seu olhar íngreme de pequenino, mais rancoroso se torna”.


“... quando nossas saias se confundem sou mais que uma mulher. Sou tudo que não tem nome. Desaprendo o que aprendi. Contrario o que ensinei. Sou apresentada a mim quando ela come meus traços com suas pupilas amorosas. Seguindo seu desejo sou meu desejo. E passo a querer nós duas. Ver-me, assim, por sua ótica de amante, é desvelar em mim o que, sozinha, seria cegueira. (...) e aprendemos que nesta idade os afetos se resfriam e os sonhos despencam com os seios...”.

O PRIMEIRO CRIME (romance policial), Coleção Elas São de Morte, ed. Rocco:


"Passei por dois embrulhos de gente no Largo da Carioca, sem me comover. Estava cada vez mais prática. Todos os dias esbarrava com algum lixo humano, com a cabeça para fora do cobertor, ou com os pés à mostra. Era tudo passagem, como o chafariz, os camelôs, os meninos cheirando cola e o sol.”

O ESTRANHO (contos), ed. Five Star:


“Naquele hospital aprendi a não ter pequenos pudores. Precisei aprender a não acalentar mais os preconceitos dos mortais. As exigências escrupulosas de quem tem a vida tão ajeitada, que nada lhe sacia a alma, nada lhe atende o querer.”


“Insultar meu marido já não me aliviava a dor. Cada vez que ele se debatia sob o chicote das minhas palavras, apanhávamos os dois”.


“Sob a chuva, ganhava uma leveza de espírito jamais experimentada. Como se a água, infiltrando-se na pele, houvesse lavado o excesso de lixo da alma”.

"Tornou-se gordo e calvo numa fração de tempo que somente a destreza da dor opera. Envergou-se. Uma degradação física quase ficcional. Como fosse o personagem de um drama que, numa passagem de atos, retorna velho...”


"Sentir-se em débito com o tempo é inútil. É como querer reconciliar-se com um morto”.

LOJA DE AMORES USADOS (poesia) ed. Multifoco:


AINDA

Dizer urgente do amor ao amante.
Antes que se quebre o tempo.
E os ouvidos, dissolvidos na terra,
não apreciem mais a carícia das sílabas.
Antes que as mãos, tímidas de dar,
cessem de vez os movimentos.
E todos os gestos virem ossos.
Dizer urgente, ao amigo, o valor do vínculo.
Que só o amigo costura.
Só o amigo, cozeduras, cozimentos, cerziduras,
que só o amigo estanca os sangramentos.
Dizer urgente do amor, sem resistências.
Antes que a língua, de súbito, se cale,
e o amor, preso por reticências, maledicências,
medos, mágoas, role pelos ralos.
Antes que o amor, quedado pela foice,
faça da palavra não dita, eterno açoite.


O QUE DISSE A IMPRENSA (TRECHOS):


"DIÁRIO DE LUAS"


“(...) Carmen Moreno é uma voz independente no panorama ficcional brasileiro (...)”.


“Carmen Moreno produziu um belo e instigante romance. Sua narrativa de fôlego, hipnotizante, detém a atenção do leitor durante todo o percurso do livro. (...)”.


Ricardo Vieira Lima, Tribuna da Imprensa.


“Uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos.”


Márcio Vianna, O Globo.


“Carmen Moreno demonstra cuidado com a cadência e o desenho das frases (...). O desenlace da trama imaginada pela escritora combina o caos da emoção ao rigor de uma equação.”


“(...) É uma narrativa hábil onde o tema do Duplo só se ergue como central no último terço do livro, num movimento elegante, que se resolve em termos de enredo numa cena descrita com notável economia e efeito. (...).”


Bráulio Tavares, Jornal do Brasil.


“A economia verbal e o forte desenho dramático são as principais características deste romance, que se coloca muito perto do texto de teatro e do roteiro de cinema (...) texto perpendicular, exaustivamente trabalhado, sem qualquer tipo de concessão. Talvez seja, quem sabe, o tênue fio que separa a razão da loucura”.


José Louzeirocapa do livro.


"SUTILEZAS DO GRITO"


“Escritora recusa os truques da moda e mostra uma rara reverência pela literatura. (...) Não há em sua escrita o menor sinal de desprezo pela tradição (...).”


“(...) contos que confirmam as principais qualidades do livro anterior – prosa bem-cuidada (...) enredos aos quais não faltam suspense, timing, surpresa – e deixam no leitor a tentação de identificar através das pistas os indícios de um universo, digamos assim, moreniano. (...).”


Sérgio Rodrigues, Jornal do Brasil.


“(...) Nada do que é humano é alheio a esta jovem mestra da prosa poética brasileira. Nada nela é muro. (...)”.


“(...) Uma linguagem instigante, concisa e enxuta, sem nenhuma obesidade. Nada sobra e nada falta neste texto burilado, vigoroso e sofisticado (...)”.


Olga Savary, O Globo.


 O PRIMEIRO CRIME


“Carmen Moreno escreveu influenciada pelo cinema, numa história que vai e volta no tempo, para um desfecho que surpreende, de tão clássico. (...) Não chega a ser Crime e Castigo, mas segue a trilha com bastante fôlego.”


Beatriz Coelho Silva, O Estado de S. Paulo.

 (...) A autora conduz o domínio narrativo, selecionando e omitindo dados, com vistas a potencializar o suspense - o que é logrado. As cenas são descritas com rigor imagético e ritmo, revelando forte influência do cinema, e a descrição de emoções e situações de tensão são construídas de modo a nos aderir à protagonista, para que as vivenciemos com ela. (...) Com uma narrativa que mescla delicadeza e requinte e com um final de revelação surpreendente, como não poderia deixar de ser, o romance se apresenta como um delicioso exemplar do gênero policial e como prova, não do crime, mas do talento da escritora”.


Aline Aimée, Site Almanaque Virtual - Cultura em movimento.


"O ESTRANHO"


“ O Estranho é o livro dos detalhes cortantes, o livro de uma autora bastante diferenciada (...) o livro que incomoda, como devem ser os livros relevantes (...) Carmen Moreno corta a carne do cinismo que reveste a condição humana. (...) a verve de Carmen é implacável, uma bukowskiana light (...). O Estranho é ler, ler e se ver.


Luíz Horácio, Poiésis e Jornal do Brasil.

"Quando li O Estranho, de Carmen Moreno, fiquei preso à leitura de cada conto, sem conseguir opor resistência. As histórias simplesmente prenderam minha atenção de tal forma, que fui "obrigado" a ler o livro inteiro. Isto acontece quanto o autor sabe manejar as técnicas narrativas, ou seja, quando é um profissional escrevendo, com consciência e domínio de sua arte. Reli o livro depois com calma, a calma que a sua densidade exige. E nesta segunda leitura outro prazer; o da aprendizagem. Recomendo, portanto, o livro a todos, por ser literatura de primeira".

Marcus Vinicius Quiroga


"LOJA DE AMORES USADOS"


“ O talento de Carmen Moreno circula com a mesma sutileza clarividente nos vários gêneros literários e agora se excede neste surpreendente Loja de amores usados, em que sua arte se expande livre e senhora de uma intensidade poética raramente encontrada. A tessitura das palavras penetra o invisível de pessoas e coisas com a mesma delicadeza de sentimentos, no gesto que acaricia, nas despedidas irremediáveis, nas decepções e mentiras, ou nas rupturas fatais. As palavras, suavemente poderosas, extraem segredos e mistérios dos recantos da casa e perfis da família, nas esquinas do ser, nos encontros e desencontros amorosos. A dor que desliza pelos versos é quase sempre silenciosa e amiga, docemente assustada, ante possíveis lapsos, mas quando sangra e despedaça, invade a página o sopro difícil de quem reconhece no próprio eu e no outro os tortuosos caminhos dos conflitos internos. Em primorosa construção de linguagem atravessada por imagens que a cada estrofe nos envolvem, acompanhamos esta viagem de um olhar solitário pelo mundo, descobrindo o "pó do pó, / o microscópico a olho nu".

 Helena Parente Cunha, quarta- capa do livro.

"A poeta já traz no nome latino o vaticínio do canto, do poema lírico. E a musicalidade se reitera na sequência de aliterações nasais que abrangem também o sobrenome.
Qual a natureza do canto de Carmen Moreno em Loja de amores usados?
Múltipla. Derramando-se em quatro segmentos, inicia-se por ampla meditação sobre a condição humana, em seus aspectos de vida/morte e criação artística (“Morte Versos Vida”), para deslocar-se em seguida à conjuntura social dos laços de família (“Ecos da casa”), e, finalmente, concentrar-se no aprofundamento confessional do erotismo (“De cama e cortes”) e da condição feminina (“Sobre saias Sobre (saltos)”).
Nesse rico e complexo percurso temático, a intensidade dramática sempre nos arrebata. Sobretudo porque Carmen Moreno, além de ter a experiência do teatro em seu currículo, é uma poeta visceral.
Portanto, não se trata de simples habilidade ou ludismo verbal o que a conduz à produção poética. Embora seja incontestável seu domínio lingüístico.
Ao lado de inegáveis aspectos estéticos, a poesia de Carmen nos conquista pela pungência e pela coragem, como o comprova o poema “Umbigos”:
Tenho minha mãe entre as pernas.
Há anos tento pari-la, parti-la de mim,
mas minha mãe não se desgarra.
O desassombro e a atitude crítica da autora atravessam o livro inteiro.
Loja de amores usados representa relevante momento de conquista pessoal, literária e social desta surpreendente artista".

Astrid Cabral, trecho do prefácio do livro.

“Carmen Moreno é uma autora brilhante, de um texto vivo, sensível, cheio de surpresas (...)”.

Raquel Neveira










































sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

SORTE PARA TODOS!

FELIZ 2011!!

*TRILHAS

A VIDA, ESSA ESTRANHEZA:
ÀS VEZES, BECOS ESCUROS,
ÀS VEZES, BOCAS ACESAS.


* Livro Loja de Amores Usados (Multifoco)





sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CRÍTICA

RESENHA:
 LOJA DE AMORES USADOS, poesia (Multifoco), de Carmen Moreno


Por: HARON GAMAL - Crítico literário, professor e doutor em literatura brasileira pela UFRJ

(Texto publicado na Revista
Folha Carioca - dezembro de 2010)


Contato: hjgamal@ig.com.br


“O fim abraça tudo”,
menos a poesia

A primeira parte do livro Loja de amores usados, de Carmen Moreno, chama-se "Morte Versus Vida", eis um trecho do primeiro poema, Movimento: "O fim abraça tudo / que mal se inicia. / Qual feto morto, / na barriga do dia." Versos prenunciando a vitória da morte, que, inclusive, aparece em primeiro lugar no próprio título.

Poderíamos pensar que para essa devastação impossível de ser contida nada restaria. Mas, mergulhando livro adentro, envolvendo-se no ardor da hora poética, logo se percebe que essa morte, que a tudo e a todos devora, não consegue levar consigo a poesia. Permanece esta como marco de uma vitória, como a vida dos deuses olímpicos, que se não eram tão eternos assim, ao menos o são enquanto duram. E duram até hoje.

Num idioma que, entre tantos poetas difíceis de serem hierarquizados, há um Camões e um Pessoa, a própria opção de escrever poemas torna-se uma temeridade. Mas Carmen Moreno arrisca-se, não teme o desafio, parecendo talhada para tal ofício. A epígrafe inicial, colhida na obra de João Cabral, aponta o propósito: "gosto de chegar-se ao fim, de atingir a própria cinza."

Em tudo que escreve, ela não deixa ideias nem modos de dizer na superficialidade:

"Ninguém parte: aparta-se de nós / apenas o palpável. / Perde-se a casca densa do amado ser. / Seus sonhos, mirados do Alto, / a terra não morde."

"Arriscar é ser mais que o medo."

"Busco o poema como quem se esparrama, / tateando a cama vazia. / Quero, no colo da palavra, / a cor que falta no dia."

Na segunda parte, "Ecos da Casa", os poemas percorrem o universo da memória:

"A família se esvai, / por entre os dedos dos anos. / Encardida fotografia. Grande útero decomposto."

Trata-se, na verdade, de uma memória drummondiana, lembranças que não apenas transmitem saudade, amargor de uma vida sempre vulnerável a perdas, a separações, ao silêncio, mas essa memória também revela o peso da ancestralidade, que permanece em cada um e que é impossível ser descartada.

"A família tomba sobre nós com seus guardados. / Quem seríamos, sem tantas vozes compondo nossos passos?"
Versos que nos lançam à presença perene daqueles que nos antecederam, presenças em pequenos gestos, olhares, palavras perdidas, impossível se livrar do passado, impossível a autossuficiência:

"Meu pai morava no desamparo. / Sorte, que a casa amparava sorrisos nas frestas da cal, / nas tréguas do caos. / E havia alegrias resistentes nos cantos dos quartos, / nas rosas das janelas... / E havia o movimento dos irmãos, / e as mãos da mulher partindo pedaços de pão, / para não perdermos o caminho."

Mais adiante:  "Tenho minha mãe entre as pernas, / Há anos tento pari-la, pari-la de mim, / mas minha mãe não se desgarra."

E, ainda uma vez, a própria poesia surge (metaforicamente, é claro) como um meio de salvação, uma barreira capaz de nos proteger das mazelas do dia-a-dia:

"Vem, poema, me salva do sorriso de minha mãe, / da loucura da minha irmã."

Momento em que alegria e loucura se unem, porque, tanto no universo familiar quanto no percurso da memória, a palavra surge como meio de organização do mundo, não a palavra comum, mas a da poesia, a palavra surpreendente, a palavra até mesmo impossível.

Na terceira parte, "De Cama e Cortes", o livro enfoca o papel do amor, também como antídoto à solidão, ao caos provocado pela inexplicabilidade da vida. A sedução se faz presente como tentativa de driblar a morte:

"Os amantes se penetram. / Injetam-se um no outro no outro, e perdem o rosto."

"De que recanto do amor o pássaro da morte / levou no bico o teu beijo."

A temática da morte, como nos grandes poetas de nossa língua, quase sempre se faz presente no texto de Carmen, ora apontando a dualidade amor versus morte, ora vida versus morte, que na verdade tem como origem o próprio amor.

Apesar da divisão do livro em partes, torna-se impossível ocultar temas recorrentes. Memória, amor e morte sempre reaparecem para configurar uma tessitura poética coesa.

"Acariciar sonhos, / enchendo gavetas de guardados. / Amarelados papéis, roídos por baratas e tempo."

A última parte, "Sobre Saias e Sobre (saltos)” enfoca especificamente a condição feminina, apresentando questões do tempo, que apontam o papel da mulher na contemporaneidade:

"A mulher que mora em mim tem tantos mundos, / que todos os homens sou eu." Aqui a mulher tornando-se uma entre todos os gêneros.

"O amor roçou no tempo até esgarçar-se de vez, por excessos. / Quando caminho as coxas roçam uma na outra, por excessos. / Cortar gorduras é exercício estóico (às vezes esmoreço e espreguiço). / Mas tenho apreço pela assepsia da alma: limpo desde menina o lixo entranhado na história."

Ou ainda: "escondo a barriga sem lipo, / mas a alma - renovada - mostra a cara." Neste trecho, apresentam-se as exigências da modernidade em oposição ao desejo do eu poético pela autenticidade.

E há também a crítica ao universo masculino, este equilibrado no fio tênue entre o desejo do macho e sua fragilidade, a inobservância do masculino pelo próprio reflexo, difícil de ser admitido:

“viril de crachá / ele é macho de etiqueta / lançar-se no pódio / é sua muleta / Para qualquer suspeito / ele arma sua mira / persegue o gay / que o espelho lhe atira!”

Carmen Moreno é autora de vários livros, tanto de ficção como de poesia. Este Loja de amores usados vem apenas confirmar um talento que há muito se destaca, e revelar uma poeta que sabe trabalhar tanto com os temas universalmente abordado pela poesia, como com aqueles que fazem parte do tempo presente.


Loja de amores usados
Carmen Moreno
Editora Multifoco, 119 páginas
Em breve, esta resenha será publicada no jornal Folha Carioca.

Haron Gamal
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Loja de amores usados

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