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domingo, 26 de agosto de 2018




POEMA PARA MARIELLE

Na calada da noite
calou-se a voz, tocaia.
Toque de recolher a vida.
Ávida, a mulher realçou 
rostos invisíveis:
despenteou a brisa, 
desabrigou mentiras,
soprou ventanias no marasmo.
Não a morte! Não há morte,
só sementeiras.
Nenhum bem se aterra,
se o gesto fértil se espalha,
e a língua é espada e espanto.
Nenhum carrasco tomba
o canto indomável das sílabas,
nem turva o clarão do sorriso.
Não há terror que impeça
o orvalho nos desertos.

Carmen Moreno


Na última sexta, 24/08/2018, 
Carmen Moreno esteve com o poeta e amigo Mano Melo
na gravação do programa CONVERSA COM O AUTOR
conduzido pela jornalista Katy Navarro
Poesia e prosa à vontade! 

Em breve no ar, pela rádio MEC.


Carmen Moreno, Katy Navarro e Mano Melo






Carmen Moreno
na festa de aniversário de 18 anos da Ibis Libris Editora
participando do recital e do lançamento coletivo, 
com o seu PARA FABRICAR ASAS (poesia). 
Alguns momentos, com a editora Thereza Rocque da Motta
a atriz e amiga Sandra Lucia Barsotti
e os poetas prestigiados na noite:








segunda-feira, 23 de julho de 2018



REGISTROS LITERÁRIOS:


Cenas da linda noite em homenagem ao poeta Tanussi Cardoso,

quando foi recitada parte de sua obra rara, por sua irmã Carmen MorenoMano 


Chevalier Eugênia Henriques e o organizador do evento 

Ocupação Poética, de Paulo Sabino.

(18/06/2018)


Coluna 
"Parada Obrigatória", 
de Christovam de Chevalier
Jornal O Globo.
(16/06/2018)







Carmen Moreno e Mano Melo




VÍDEO - ACIMA:

Carmen Moreno interpreta poemas de Tanussi Cardoso 


TANUSSI CARDOSO

(40 anos de poesia)



Coletânea internacional
MULHERIO PELA PAZ


CARMEN MORENO

participa de mais uma obra (a terceira)

do coletivo feminista/ literário

MULHERIO DAS LETRAS. 

Organizada por Vanessa Ratton e  Alexandra Magalhães Zeiner, 

coletânea  bilíngue MULHERIO PELA PAZ 

(contos e poesias) 

foi lançada dia 08 de março de 2018, 

no “ IV Sarau da Paz”, em Augsburg, Alemanha.

No Brasil, de 02 a 04 de novembro, no Guarujá.



CERTIFICADO INTERNACIONAL DE PARTICIPAÇÃO



DA NOVA JANELA

Da paz nenhuma palavra se apossa.

Escapa aos ditos, dicionários,

à ambição dos poetas na busca insana do signo.

Talvez este sol roçando a face, a paz.

Trégua das trevas, preguiça do desengano.

A dança da folhagem, calma, silêncio, aragem.

A paz, pedra inegociável!

Aconchego do íntimo, feito um filho a se defender.

(nenhum dano merece seu tremor):

ódio, luto, medo, amor.

A paz, ondas, brevidade.

O espírito de Deus, num átimo - eternidade.


Carmen Moreno (livro: Mulherio pela paz)



ANTOLOGIA DE POESIAS

MULHERIO DAS LETRAS

Organização: Vanessa Ratton

Editora Costelas Felinas

São Paulo, 2017



FÁBULA DA FILHA QUE VIROU MÃE

A mãe não costura mais o vestido da menina magricela.

Que não é mais menina nem magricela. Cresceu por meio século.

A mãe tornou-se filha, quando os passos ficaram miúdos e os cabelos rareados.

Mora na cama do quarto, tangenciando o centenário e seu ônus.

Entre fraldas e enfermeiras, seu sorriso ensina a filha a ser rocha.

Inútil sofrer, temer a data, enfeitá-la para partir serena e sem danos.

A morte é sempre súbita, por mais que bafeje no cangote dos relógios,

e prometa visita sob o martelo dos doutores.

Mas a dita não traz na lápide o fim anunciado:

A mãe nunca partirá, costurada que está na alma da menina,

desdobrada no seu melhor gesto,

nas palavras espalmadas aos carentes de mãe e de sonho.

A mãe não é mais a fala fluida, a casa antiga, os bordados de flor,

a samambaia chorona, o jardim.

Não rega mais as plantas, não planta.

Mas é plena plantação.

Carmen Moreno (Antologia de Poesias Mulherio das Letras)



ANTOLOGIA
MULHERIO DAS LETRAS
 (contos e crônicas, V. 1)

Organização: Henriette Effenberger.


Apresentação: Maria Valéria Rezende

Editora Mariposa Cartonera

Recife, 2017



SOB A SEMELHANTE SUPERFÍCIE

Não foram as suas cuecas, sempre espalhadas pelo quarto. Nem a última briga ou a soma de todas. Não sabemos o que nos une a uma pessoa e nos afasta de outra. Estou apaixonada. Sinto tristeza antecipada, por saber que vou magoá-lo, e igual prazer por saber que vou magoá-lo. Você está agora no futebol. Chegará suado, músculos lustrados, olhos foscos. Sei que me vê também assim, opaca e silenciosa, carregando pelos cômodos uma incômoda mudez. Você inventou a simplificação dos meus questionamentos: colava a boca na minha, calando-me num beijo que nos levava a outras linguagens. Calávamos um discurso para dar lugar a outro menos contraditório. Uma fuga, um ópio, um esconderijo. Calar-me com seu corpo. Acender-me para apagar-me. Uma arma. Em desuso. Sei que há anos não me quer mais. Descobri naquela noite, mas não consegui terminar meus 16 anos de casamento. Olhei os amantes de longe. Em casa, você tentou banalizar: tudo menos me perder, os homens eram assim, não resistiam! Todos os chavões saltavam da cartola. Um mágico tentando animar a plateia com o velho número dos pombos. Acreditei no truque do ilusionista. Mariana era adolescente, racionalizei a importância de um pai presente. Tinha pânico de estar só e usava nossa filha como pretexto. Estou apaixonada aos cinquenta anos! Nunca imaginei tanta novidade. Aprendemos que, nesta fase, os afetos se resfriam e os sonhos despencam com os seios. Achava que o amor não poderia surgir de uma fonte aparentemente sem mistérios. Que pudesse sentir tanta atração por um corpo tão familiar em desenhos e cheiros, em textura. Desconhecia as sutis diferenças, as que apenas intuímos sob a semelhante superfície. Quando acaricio seu corpo, tão igual ao meu, toco regiões inusitadas da minha feminilidade. Quando nossas saias se confundem sou mais que uma mulher. Sou tudo que não tem nome. Desaprendo o que aprendi. Contrario o que ensinei. Sou apresentada a mim quando ela come meus traços com suas pupilas amorosas. Seguindo seu desejo sou meu desejo. E passo a querer nós duas. Ver-me, assim, por sua ótica de amante, é desvelar em mim o que, sozinha, seria cegueira. Você se perguntará o que um homem teria deixado de dar a uma mulher para levá-la a procurar outra. O que nos afasta de alguém são sempre excessos e faltas. Nossos excessos e nossas faltas levaram você às amantes, e a mim, ao amor. Estou apaixonada. Por enquanto, levo algumas roupas apenas. A buzina! Tenho que ir. O chá está quente sobre o fogão.

CARMEN MORENO (Livros: Sutilezas do Grito, editora Rocco, 1997 e Antologia Mulherio das Letras, editora Mariposa Cartonera, 2017).




CARMEN MORENO integra a coletânea 

AS MULHERES POETAS 

NA LITERATURA BRASILEIRA 

(Volume 2) 

Resultado do belo trabalho de Rubens Jardim, seriamente empenhado em garimpar,  divulgar e ampliar a projeção das vozes das poetas, 
em sua diversidade e potência.


(livro digital a ser lançado)




domingo, 11 de março de 2018

Carmen Moreno no Centro Cultural da Justiça Federal - Sarau Rio de Versos

Neste vídeo,  Carmen Moreno interpreta seu poema 
“Quase Cinquenta”, livro "Para Fabricar Asas" (Ibis Libris Editora), 
no sarau RIO DE VERSOS, que integrou o evento 
“Mulher, Poder e Democracia”, em 07/03/2018, 
no Centro Cultural da Justiça Federal. 
Diversas poetas foram representadas, 
sob a direção de Sady Bianchin
Bela noite!












domingo, 10 de dezembro de 2017

Carmen Moreno 
participou do sarau
 "MULHERIO DAS LETRAS/Rio"
inserido na “3ª. Feira das Molieres”. 
Tarde de poesia, prosa e maracatu, 
com o grupo Baque Mulher.
Paquetá, 10/12/2017


Carmen Moreno - Livro Para Fabricar Asas (Ibis Libris)


Mulherio das Letras/Rio e Grupo Baque Mulher/Rio


Livros de autoras do Mulherio das Letras/Rio

segunda-feira, 20 de novembro de 2017


Miniconto de Carmen Moreno no blog NO OSSO:


O microconto de Carmen Moreno foi publicado no competente blog NO OSSO, de Alexandre Brandão. A coluna “E tome palavra” desafia o escritor a criar um texto a partir de uma palavra  preestabelecida. Quando Carmen recebeu seu presente, INJETÁVEL, imaginou que a peleja seria bastante árida. Mas a poesia nunca a desampara. Confirmem no link ACIMA



CARMEN MORENO: Poeta, contista e romancista carioca, membro do PEN Clube do Brasil. Publicou 7 livros solo, e participa de 27 antologias, entre elas, Mais 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira, org. Luiz Ruffato (Record).  Recebeu vários prêmios, entre os quais, o Prêmio Casa da América Latina (Concurso de Contos Guimarães Rosa 2003), Rádio França Internacional, Paris. O romance Diário de Luas (Rocco) e sua obra foram tema da dissertação de mestrado de Lilian Gonçalves de Andrade: "Diário de Luas: um Künstlerroman no universo literário de Carmen Moreno", sob orientação da Profª Drª Eliane T. A. Campello, da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS, 2006; 










domingo, 8 de outubro de 2017

Carmen Moreno no Mulherio das Letras

Carmen Moreno integra o MULHERIO DAS LETRAS (antologia de poesia), organizada por Vanessa Ratton. A bela capa é de Silvana de Menezes. 

O movimento MULHERIO DAS LETRAS, linda ideia da premiada escritora Maria Valéria Rezende, já reúne mais de 5.000 mulheres feministas, entre escritoras, poetas, editoras, designers e pessoas comprometidas com o livro e a leitura. 

Encontros regionais têm acontecido em diversas cidades brasileiras, e o primeiro grande evento cultural do Mulherio das Letras será realizado em João Pessoa, entre os dias 12 e 15 de outubro, reunindo cerca de 500 mulheres. 

Palavras de Carmen: "Participar deste movimento histórico significa revigorar minha identidade enquanto mulher e escritora, e enriquecer, através do diálogo (diário) com tantas autoras especiais, uma trajetória de criação que, por sua natureza, é solitária". 







Carmen Moreno